segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Relaçóes complicadas

Uma boa explicação do porque algumas mulheres somente encontrarem homens complicados e uma lembrança com relação a grupos de ajuda. A matéria é do jornal A Noticia no seu caderno cultural Anexo. O texto é do Mauricio Oliveira:

Guerreira
A escritora de 50 anos conta em livro suas experiências como filha de celebridades
Confissões deu uma mulher madura
Criada por uma tia para que os pais se dedicassem às carreiras, a escritora Rita Ruschel passa a vida a limpo em "O Conto da Mulher Casada"


Rita Ruschel, 50 anos, sabe o significado exato da expressão "preço da fama". Os compromissos profissionais do pai, o ator de cinema Alberto Ruschel, e da mãe, a roteirista Neli Dutra, fizeram com que ela fosse mandada ainda bebê para a casa de uma tia, trauma do qual jamais se recuperou.
Nessa mesma época o galã da Vera Cruz, estrela do premiado "O Cangaceiro", começou a ter problemas com o alcoolismo, estopim da separação que também marcou para sempre a vida de Rita. Essas experiências estão relatadas no livro "O Conto da Mulher Casada", que Rita deve lançar nos primeiros meses deste ano.
Mais do que uma autobiografia, a obra é sobretudo uma catarse, já que ela passou décadas sem conseguir falar abertamente sobre assuntos tão delicados. "Só superei essa dificuldade depois dos 40 anos, quando aprendi a me conhecer de verdade", relata.A escritora, que mora em São Paulo e passou as festas de fim de ano na casa de um amigo em Florianópolis, considera-se portadora de uma doença emocional adquirida na infância e que só começou a ser tratada quando ingressou em grupos de ajuda mútua. "É a maior invenção da humanidade depois da roda. E ainda por cima é de graça", elogia Rita, que considera "dinheiro jogado fora" os dez anos de psicanálise.
Foi ao ouvir histórias parecidas com a dela, em um ou dois encontros semanais com duas horas de duração, que Rita identificou características comuns aos filhos de famílias "disfuncionais", aquelas em que os papéis dos integrantes são confusos, seja pela ausência do pai, da mãe ou de problemas como o alcoolismo. "Nessas famílias a criança não é estimulada a se perceber. Ela acaba não prestando atenção em si mesma, porque procura assumir o controle da situação para tentar evitar os problemas que a deixam aflita", analisa. Assim, a criança deixa de se sentir o centro do mundo, como é normal em famílias bem estruturadas.
No futuro, isso poderá resultar em baixa auto-estima. O modelo vivido na família se transforma no padrão para as escolhas amorosas. É por isso que os filhos de famílias disfuncionais tendem a repetir, depois de adultos, o comportamento confuso com o qual se acostumaram desde a infância. "Passei a vida me apaixonando por homens complicados. Eu tentava reencontrar o modelo do meu pai, com o qual, apesar de tudo, me sentia segura", relata Rita."O Conto da Mulher Casada" é uma tentativa de ajudar pessoas em situação semelhante.
Rita acha que nunca se apaixonou por homens emocionalmente maduros porque simplesmente não conseguia se sentir próxima deles. "Já com os homens complicados eu sabia como lidar, o diálogo era mais natural. Gostava de ter um comportamento maternal com eles, de tentar 'corrigi-los'. E, como boa mãe, sempre os perdoava", descreve. Com o ganho proporcionado pelas reuniões nos grupos de ajuda mútua ­ que pretende freqüentar pelo resto da vida -, Rita se julga pronta para viver uma relação serena e de respeito mútuo, bem diferente dos dois casamentos e de várias outras relações que teve. "Até agora só me envolvi com homens que, emocionalmente, tinham três ou quatro anos de idade", compara.

Fonte: jornal A Noticia – Anexo – 03/01/2000
Materia de Mauricio de Oliveira

Um comentário:

Coisas nossas disse...

hummmmmmmm, dá esse livro de presente pra mim? ;-)